33ª Bienal de São Paulo anuncia mostras coletivas e doze projetos individuais

 

 

A Fundação Bienal de São Paulo anunciou no último dia 20, o nome dos artistas comissionados para criar obras para a 33ª Bienal, que será aberta em setembro. Gabriel Pérez-Barreiro selecionou os projetos individuais que irão compor a exposição ao lado de mostras coletivas organizadas por sete artistas-curadores. O modelo busca alternativa ao uso de temáticas na curadoria e privilegia o olhar dos artistas sobre seus próprios contextos criativos.

À Vontade e o Outro (1989), de Lucia Nogueira. Foto: Lucia Nogueira.

Como indicado pelo título Afinidades afetivas – inspirado pelo romance Afinidades eletivas (1809), de Johann Wolfgang von Goethe, e pela tese “Da natureza afetiva da forma na obra de arte” (1949), de Mário Pedrosa –, a 33ª Bienal de São Paulo pretende valorizar a experiência individual do espectador na apreciação das obras em vez de um recorte curatorial que condiciona uma compreensão pré-estabelecida. O título não serve como direcionamento temático para a exposição, mas caracteriza a forma de conceber a mostra a partir de vínculos, afinidades artísticas e culturais entre os artistas envolvidos. Como no texto de Mário Pedrosa, há uma proposta de investigação das formas pelas quais a arte cria um ambiente de relação e comunicação, passando do artista para o objeto e para o observador. Presença, atenção e influência do meio são as premissas que norteiam a curadoria desta edição, numa reação a um mundo de verdades prontas, no qual a fragmentação da informação e a dificuldade de concentração levam à alienação e à passividade.

Feliciano Centurión, Sem título [Untitled], 1993 Foto: Oscar Balducci.

Com esse pano de fundo, a 33ª Bienal de São Paulo será composta pela soma de projetos individuais selecionados por Gabriel Pérez-Barreiro a sete mostras coletivas concebidas pelos artistas-curadores já anunciados: Alejandro Cesarco (Montevidéu, Uruguai, 1975); Antonio Ballester Moreno (Madri, Espanha, 1977); Claudia Fontes (Buenos Aires, Argentina, 1964); Mamma Andersson (Luleå, Suécia, 1962); Sofia Borges (Ribeirão Preto, Brasil, 1984); Waltercio Caldas (Rio de Janeiro, Brasil, 1946) e Wura-Natasha Ogunji (St. Louis, EUA, 1970). Suas proposições curatoriais serão detalhadas em breve.

A seleção de Gabriel Pérez-Barreiro traz projetos comissionados de oito artistas (Alejandro Corujeira, Bruno Moreschi, Denise Milan, Luiza Crosman, Maria Laet, Nelson Felix, Tamar Guimarães, Vânia Mignone), uma série icônica de Siron Franco e homenagens a três artistas falecidos: o guatemalteco Aníbal López, o paraguaio Feliciano Centurión e a brasileira Lucia Nogueira.

Além dos nomes anunciados, serão apresentados nas próximas semanas os convidados para as sete mostras coletivas que estão sendo concebidas pelos artistas-curadores convidados.

Política, sexualidade e expoente feminino

Visto que Pérez-Barreiro propõe um modelo curatorial que evita aproximações temáticas, mais do que questões de linguagem ou conceituais, os três artistas homenageados têm em comum a atuação durante os anos 1990 e o fato de terem falecido precocemente. “Essa foi a primeira geração latino-americana a fazer uma arte livre da opressão dos regimes totalitários das décadas anteriores”, explica Pérez-Barreiro. São obras isentas da necessidade de trabalhar de maneira codificada ou oculta, passando a uma maior ênfase na expressão da subjetividade como ato político.

De acordo com Pérez-Barreiro, a homenagem a esses três artistas, com cerca de 30 a 40 obras de destaque dentro da trajetória de cada um deles, foi uma maneira de repensar os chamados núcleos históricos da Bienal de São Paulo, que marcaram a exposição até sua 26ª edição (2004) e que ele considera uma peculiaridade positiva em relação às outras exposições sazonais ao redor do mundo. “Eu queria artistas que fossem históricos, mas ao mesmo tempo não consagrados, ou seja, que esses núcleos não fossem apenas a reiteração de nomes que já conhecemos. Os artistas homenageados são pouco conhecidos na América Latina, mas são expoentes de sua geração, então trazê-los à Bienal é uma forma de resgatá-los do desaparecimento da história da arte e mostrá-los para as novas gerações”, diz Pérez-Barreiro. Para o curador, a realização dessas exposições também significa uma contribuição expressiva da Fundação Bienal na pesquisa, catalogação e recuperação dos acervos desses artistas.

Em pleno processo de desenvolvimento da 33ª edição, a Fundação Bienal trabalha também na articulação com museus e instituições culturais a fim de ampliar a capilaridade de suas ações. Além disso, a Bienal é detentora de um arquivo com mais de um milhão de documentos cujo conteúdo o qualifica como um dos principais acervos sobre história da arte moderna e contemporânea da América Latina. Desde 2015, a Fundação Bienal vem fazendo investimentos sistemáticos no tratamento documental: identificação e remanejamento dos materiais por coleções, higienização, classificação e catalogação, pesquisa e revisão de dados e desenvolvimento de um banco de dados para gestão e difusão dos acervos.

Serviço

33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas.
Quando: de 7 de setembro a 9 de dezembro de 2018.
Onde: Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera.
www.bienal.org.br

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Com Informações da Conteúdo Comunicação.

http://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/3683-33%C2%AA-bienal-de-s%C3%A3o-paulo-anuncia-mostras-coletivas-e-doze-projetos-individuais.html

 

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