Exposição traz mulheres fortes, com histórias de luta, superação e amor

 

Marcando o Dia da Imprensa, mostra gratuita com acessibilidade e interação retrata personagens reais de jornalista premiada que redirecionou carreira impactada pelo protagonismo feminino


No mês de junho, em que se comemora o Dia da Imprensa,  uma exposição traz a São Paulo as personagens reais dos artigos de uma premiada jornalista brasileira que redirecionou sua carreira impactada pela força da própria maternidade e do protagonismo feminino. Novas, de meia idade ou idosas, brancas, negras, com ou sem instrução educacional, independente de condições financeiras, as mulheres são protagonistas na família e na sociedade e o retrato do povo brasileiro: afetuoso e capaz de ressignificar suas vivências em atos de coragem, mas sem perder a ternura e a delicadeza. A Exposição Retratos de Mãe, da fotógrafa Andréa Leal, acontece de 12 de junho a 13 de julho de 2018 na Galeria Studio Trend, no bairro Alto de Pinheiros, para mostrar 18 mulheres com histórias de vida marcantes, com a curadoria da fotógrafa paulista Simone Silvério. Um convite à emoção e à reflexão sobre os exemplos de dedicação, luta e superação. Uma mostra com acessibilidade e interação, onde os visitantes poderão baixar no celular um aplicativo de realidade aumentada e, diante de cada retrato, assistir a um vídeo ou ouvir a um áudio de um minuto da própria personagem contando sua trajetória. 

A mostra será aberta às 18h do dia 12 de junho, com um coquetel para imprensa e convidados. A exposição é aberta ao público, de segunda a sábado, das 9h às 18h.  Além da fotógrafa Andréa Leal, o evento contará com as presenças da jornalista Sílvia Bessa e de algumas das retratadas. Todas estão disponíveis para entrevistas. A exposição tem o apoio de Fujifilm , Magipix, Viacolor e Virtual Produções.

Sobre  a jornalista Sílvia Bessa – Com 20 anos de profissão e figurando entre as profissionais mais destacadas do Brasil, considerada em 2010 um dos 15 repórteres mais premiados do país de acordo com ranking histórico elaborado pelo site especializado Jornalistas&Cia, de São Paulo, Sílvia no início deste ano de 2018, figurou como a segunda jornalista a ganhar mais honrarias em todo o Nordeste. Aos 42 anos, soma mais de vinte prêmios jornalísticos internacionais e nacionais, entre os quais três prêmios Esso e de quatro e prêmios Embratel. Depois de atuar por mais de 10 anos como repórter política, deu uma guinada na sua carreira. Com a primeira filha Anaís pulsando no seu ventre, descobriu que ser mãe é também resistir. Viveu a chegada e a partida da primogênita no mesmo momento. A bebê tinha a Síndrome de Edwards, acaso genético com impactos neurológicos graves e viveu por 111 dias. “Eu só queria ser uma mãe com dignidade”. Jornalista, voltou à redação determinada a ouvir e escrever sobre mulheres e mães. Foi premiada dois anos depois com a gestação das gêmeas Anita e Pilar.

 

A exposição é pano de fundo para a aparição dessas mulheres fortes, com uma história pra contar. Conheça algumas delas: Depois de passar oito horas em poder de sequestradores ao lado da filha criança, Beth largou a profissão e se transformou em contadora de histórias, com a missão de dar atenção e afastar crianças carentes da criminalidade.
Afastada do sonho de ser professora pelo machismo do pai e do marido, Rosa fez concurso público às escondidas com a “conivência” dos filhos, entrou numa sala de aula pela primeira vez aos 55 anos e hoje ensina as crianças a dizer não à opressão e ao preconceito, falando de autoestima e valorização do negro a crianças da rede pública de ensino e suas famílias.
Com uma situação financeira estável, Áurea já trabalhava como voluntária quando Pernambuco foi atingido pelo surto de microcefalia. Ela começou frequentando hospitais para dar apoio às mães e hoje se dedica a projetos que as integre ao mercado de trabalho, ensinando a fazer e vender bijouterias e doces. Aos finais de semana, leva os bebês raros para sua casa, faz campanhas para arrecadar fraldas, remédios e alimentos e é tida como um anjo da guarda para as famílias.
Na criação da filha e na vida, Beca é incansável na valorização de mulheres e das negras e na não-romantização da maternagem.
Daniele teve um filho com microcefalia e foi uma das primeiras mães a expor o caso, dar entrevistas, alertar e pedir ajuda para seus filhos e os outros bebês que também nasceram com a Síndrome Congênita do Vírus Zika.
Conheça um pouco sobre todas as personagens:

Beth Queiroz
Um sequestro relâmpago mudou a vida da técnica de enfermagem UTIs Neonatal Beth Queiroz. Ela e a filha passaram oito horas com os sequestradores. “A partir dali, sabia que precisava dar mais atenção à minha filha”. Incrível foi o olhar maternal dela diante da violência. “O coração da gente não pode se impregnar do mal”. Beth cursou pedagogia, virou contadora de histórias voluntária de crianças ao lado de Bia.

Áurea Negromonte
Entre mães de bebês com microcefalia, há quem creia que Áurea é um anjo da guarda que circula – falante – por aí. Tem as que a consideram madrinha da coletividade, aquela que cuida, socorre e dá carinho quando tem menino doente. Voluntária, Áurea começou frequentando hospitais para dar apoio às mães. Hoje se dedica a projetos que as integre ao mercado de trabalho. É mãe de Mariana e Guilherme e de dezenas de bebês chamados por ela de raros.

Rosa Maria da Fonseca
Aos 55 anos, resolveu prestar vestibular para pedagogia, como sempre quis. Era cerceada pelo machismo até então. No dia que pisou numa sala de aula como professora diz ter feito um juramento. “Vou ensinar a essas crianças a darem um sim para elas próprias”. Enquanto dá lições de leitura, Rosa ensina sobretudo autoestima, autovalorização da pele negra para crianças e respectivas mães da rede pública. Tem três filhos adultos – Patrícia, Renato e Nathália.

Beca Nascimento

Ao abrir os olhinhos da ingenuidade dos porquês, Ester resolveu perguntar a ausência de bonecas negras no comércio. A mãe Beca juntou economias para realizar o sonho de Ester. Não achou a boneca da propaganda. “Só sei que está errado, filha”. Em redes sociais, tem sido incansável na valorização de mulheres e das negras e na não-romantização da maternagem. “As mulheres precisam se valorizarem e se ajudarem”.

Daniele Santos
É a mãe dos novos tempos, preocupada com os outros. Em 2015, teve Juan Pedro, diagnosticado com microcefalia após a epidemia do Zika Vírus. Sempre sorridente e serena, tornou-se comum ver Daniele concedendo entrevistas para veículos do Brasil e do exterior, devassando sua intimidade. “Esta não é uma causa só minha, por isso procuro ajudar no que posso”. Daniele é mãe de Juan e de Jennipher.

 

Jakyele Afonso
Em uma rua na zona Sul do Recife, tinha uma mãe humilde aflita para doar uma bebê. “A senhora não pode ficar com ela?”, perguntou à desconhecida Maria José, a Jô, que saíra para buscar uma filha na aula de piano. Jackyele é a bebê de três meses que dona Jô ganhou de presente. “O gesto de minha mãe biológica foi de amor”. Nunca mais a viu. Fez-se mulher com este olhar maternal de Jô. “Devo tudo a ela. Mamãe é a minha grande paixão”. Hoje Jakyele é mãe de Davi.

Ana Branco
Sabia que coração de mãe é terra que nem todos pisam. Ana, então, usou o arado para ajudar a quem precisava. Emprestava os ouvidos às famílias com crianças e adolescentes em tratamento de câncer. Dividia conhecimentos adquiridos ao cuidar da filha Natália, filha especial e conhecida no Recife como uma paciente “lendária”. Ana não é resignação. É mãe-determinação. Mãe de Rafaela, de Natália, avó (e imagina ser mãe) das gêmeas Maria e Beatriz.

 

Maria Alves Cândido
Um dia, ela e os irmãos viram-se órfãos de uma mãe viva, que os deixou. Cresceu com o colo da avó paterna e do pai. Mas o dom de zelar e acarinhar nasceu com dona Maria, conhecida como Nenzinha. Tem orgulho de dizer que virou babá aos 12 anos. “Nasci para isso. Para mim, de sangue ou não, é como se fossem meus netos”. Alimentou crianças de parentes e de vizinhos. Dona Nenzinha educou seus cinco filhos com a bravura do trabalho e o calor do abraço. Viu um, Flávio, morto.

Libânia Medeiros
Ao falar dos bebês nascidos pelas suas mãos, Libânia prefere usar o verbo “receber”. Parteira e referência na Zona Norte do Recife, o conjunto de letras dá amplitude a um significado. “Receber” no contexto de Libânia é pegar bebês nos partos; é ouvir alguém tocar a campainha do seu conhecido portão às 2 horas, ela se dispor a pegar na mão de uma parturiente e dizer “calma, vai dar tudo certo”. Dona Libânia tem centenas de filhos, três filhos do seu ventre e um “do coração”.

Patrícia Pontual
Desde menina, a única certeza que Patrícia tinha na vida era esta: a de querer ser mãe um dia. Estava com 17 semanas de gestação, comemorava o sonho quando foi surpreendida por um diagnóstico: “Seu bebê tem anencefalia”. Foi dela a decisão: “Não quero que mexam no meu menininho”. Ele morreu pouco após nascer. Para Patrícia, a história do filho Davi não foi de dor. “Foi de amor”. Mãe coragem, diz que tem três filhos: Daniel, Maria Luiza e o anjo Davi.

 

Maria de Lourdes dos Santos

A dor maior dela hoje é a falta da mãe idosa, que morreu há quase três anos. Mas a mãe Maria de Lourdes, conhecida como Dinha na comunidade do Coque onde mora, também é inspiração para os filhos. Não há uma comida que prove na rua que João não lembre da mãe. Dinha nunca teve tempo de se cuidar; sempre cuidou e buscou alimentos para os cinco filhos. É uma mãe real, como uma maioria brasileira.

Dôra Santiago
A gestação do filho Osmarzinho, para Dôra, “foi um milagre” que ela afirma comemorar até hoje. Ela estava cansada de sofrer preconceito de vizinhos, parentes e amigos pela sua magreza na zona rural do interior de Pernambuco, onde morava. Falavam de Aids, de bulimia, anorexia. A possibilidade de gravidez era remota. Após ser notícia em jornal, despertou a paixão de um policial. Engravidou e se dedica ao filho celebrando o presente todo dia.

Daniella Brito
Uma mãe de muitos filhos. Madrasta que virou mãe da filha do ex-marido, órfã desde pequena que preferiu ficar no Recife com a família Brito a voltar para São Paulo quando o casal foi desfeito. Mãe de um filho que pariu, e, por afinidade, dos filhos do atual marido. “Sou mãe dos meus, dos seus e dos nossos”. Espécie de mãe da coletividade, que sabe acolher com amor, humor e que prega o respeito.

Luciana Martins

Casada, houve dias que a cobrança da sociedade a fez se sentir menos mulher por não engravidar. Buscou, então, um especialista para ajudá-la. “Vamos contar?”, disse o médico em um exame. “Um, dois…”. Luciana tornou-se mãe de trigêmeos – Guilherme, Maria Clara e Maria Tereza. Nasceram no dia de Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro. Por dois meses, enfrentou uma UTI mas só saiu com os três nos braços. “Fui abençoada. Tenho três filhos únicos”.

Monique Cabral
Ela acha que o filho é um pequeno herói. Veio para salvá-la. Crescido, Francisco dará sua versão. Saberá que a mãe teve coragem para enfrentar o périplo e mantê-lo vivo, enquanto equipes de especialistas analisavam protocolos do Brasil e do exterior e decidiam por fazer a inusitada primeira cirurgia de retirada do rim de uma gestante em virtude de um câncer. “Em momento nenhum pensei em desistir dele.” Monique é mãe de um anjo, Letícia, que se foi e de Francisco.

Severina Barros
Aos domingos, faz questão de reunir filhos e netos para comer sua tradicional galinha de capoeira. Aos 80 anos e ativa, é reverenciadas pela prole. “Eu fazia questão que estudassem”. Severina era dura na cobrança, na esperança de dar a eles tranquilidade no futuro. Enfrentaram enchentes sucessivas, ficaram sem ter o que comer, mas ontem e hoje ela foi e é firme como uma rocha.

 

Brenda Coelho
A chegada de Anabel, uma bebê que nasceu com limitações, foi para esta mãe um desabrochar ensolarado. Ninguém sorri melhor que Brenda e compreende tão bem seu papel em cada dificuldade ou grandes conquistas vividas ao lado de sua menina. Com leveza, Brenda consegue ser mãe e mulher e atribui a Anabel a aproximação que estabeleceu com sua mãe. São três mulheres envolvidas pelo amor maternal.

Sobre a fotógrafa Andréa Leal 

Embaixadora da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos (ABFRN), única representante do Norte/Nordeste da Professional Photographers of América (PPA), única fotógrafa do Norte/Nordeste membro da Associação Profissional de Fotógrafos de Recém-nascidos (APNPI), única representante de Pernambuco membro da International Newborn Photography Association (INPA), membro da Associação Nacional de Fotógrafos Profissionais de Criança (NAPCP) e da Baby and Newborn Photography Association (ANPAS), Andréa fundou e preside a Associação Nordestina de Fotógrafos de Família (ANFF).

Piauiense de nascimento e pernambucana de coração, a fotógrafa Andréa Leal se especializou em fotografia de família para captar e eternizar o sentimento presente na atmosfera da gestação, partos, dos primeiros dias de vida dos bebês, em casa com a família, quando estão sendo construídos os laços que durarão para sempre.
Descobriu o amor pela fotografia ao registar os filhos. Em 2013 começou a fotografar profissionalmente. Em 2015 abriu o primeiro estúdio e em 2017 inaugurou sua nova casa, um espaço totalmente planejado e de alta tecnologia considerado por Leo Saldanha, publisher Fhox, principal revista voltada ao ramo fotográfico brasileiro, um dos melhores estúdios do Brasil.

 

Em seus projetos de caráter humano e documental, Andréa busca usar a fotografia para espalhar sementes das bandeiras que defende: a amamentação, o parto natural e humanizado, a presença mais efetiva dos pais na vida dos filhos, o respeito às crianças especiais e tantas outras.
No projeto Luz Natural, ela registro de partos normais ou naturais realizados em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) localizados na Região Metropolitana do Recife .O objetivo é informar sobre os benefícios do parto natural e acabar com o preconceito, desmistificando a ideia de uma experiência de alto risco, sofrimento, insegurança. O projeto se solidificou, gerando a fundação do Instituto Luz Natural, Organização Não Governamental (ONG) que apoia o parto natural humanizado.

Com o projeto “Toda Criança é Especial”, retrata crianças com microcefalia, autismo, Down e outras síndromes, que desde cedo aprenderam a lutar pela vida , com respeito à infância e alegria. A ideia é mostrar que toda criança é única , especial e está aqui para ser cuidada e ser feliz. Duas dessas imagens foram escolhidas para integrar o calendário do Unicef.

 

Sobre a curadora Simone Silvério – Simone Silvério é uma fotógrafa apaixonada pela maternidade e tudo que envolve esse universo. Mãe de quatro filhos, administradora de empresas com MBA pela FIA-USP, arquiteta formada pela FAU-USP, executiva com 15 anos de experiência no mercado financeiro internacional, deixou tudo para se tornar fotógrafa em tempo integral. É referência no mercado fotográfico nacional, comparada a fotógrafa australiana Anne Geddes, com quem fez, recentemente, uma campanha internacional  no Brasil.  Simone é membro e Fotógrafa Certificada pela associação de fotógrafos profissionais americanos PPA, é membro da associação americana de fotógrafos infantis NAPCP e presidente da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-Nascidos ABFRN além de ser uma das fundadoras. Também é autora de diversos cursos sobre fotografia de bebês e do livro “Fotografia de bebês paixão e técnica”, pela Iphoto Editora, a primeira obra completa publicada em Língua Portuguesa sobre fotografias de bebês. Aprendeu a arte de newborn com as maiores mestras no assunto: Kelley Ryden e Tracy Raven (EUA), Amber Shereen (Canadá), Laura Brett (EUA).  Entre a centenas de  ensaios no currículo, está o da lindinha Brenda, filha de Sheila Mello com o nadador Fernando Scherer.

 

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